Todos os termos superlativos para definir a capital do Japão não passam de expressões minimalistas.
Todas as dimensões e quantidades usadas pelos humanos para expressar grandezas, não são suficientes para enquadrar e definir a cidade de Tóquio e os universos que ela contém.
Na verdade, multiversos, numa inimaginável grandeza.

Tóquio não é uma cidade

Quando aterrei no aeroporto de Haneda, em Tóquio, descobri que a capital do Japão não é uma cidade.
É um conglomerado de cidades.

Designada como uma metrópole, é uma das 47 prefeituras do país. Situa-se em Honshu, a maior ilha do arquipélago. É constituída por 23 bairros, 26 cidades primárias, cinco cidades secundárias, oito vilas diferentes. Cada uma possui um governo próprio que as administra a nível regional.

Tóquio é uma cidade Alfa com 37 milhões de habitantes, a maior área urbana do planeta.

É o principal centro político, financeiro, comercial, educacional e cultural do Japão. Possui a maior concentração de sedes de empresas multinacionais, instituições de ensino superior, teatros, estabelecimentos comerciais e culturais do país.

Tóquio é uma galáxia que nos deixa de olhos arregalados. Olhos em bico se formos japoneses. Tudo é grande.
Tudo é muito grande. Gigantesco.

Para expressar esse gigantismo escolhi o local daquele que já foi o maior mercado de peixe e frutos do mar de todo o mundo: o Mercado Tsukiji. No seu auge movimentou mais de 2000 toneladas por dia. Gigantesco como a cidade.

Nele trabalharam cerca de 65 mil pessoas. Abre às 3 horas da manhã com a chegada de produtos vindos por camião, navio e avião de todo o mundo.

De Portugal também.

O mercado situa-se no centro de Tóquio entre o Rio Sumida e a zona comercial de Ginza.

Tem duas áreas distintas. O mercado interior (jonai-shijo) é o mercado grossista – transferido para o mercado Toyosu – onde os comerciantes negoceiam a compra e venda de peixe em grandes quantidades, e onde decorrem grandes leilões de pescado.

O mercado exterior (jogai-shijo) é uma mistura de lojas que vendem desde utensílios de cozinha japoneses, suprimentos para restaurantes, mercearias, frutos do mar, e muitos, muitos restaurantes, especialmente restaurantes de sushi.

No total, mais de 700.000 toneladas de peixe e frutos do mar são manuseados todos os anos nos mercados de Tóquio, com um valor total de mais de 600 biliões de yenes.

No Mercado Tsukiji transaccionam-se mais de 400 tipos de frutos do mar, desde algas até caviar do mais elevado preço. Desde pequenas sardinhas a atuns com 300 quilos.

Alguns são pescados no mar do Algarve.

Portugal firmou um Acordo de Pescas com o Japão em 1979, era Maria de Lurdes Pintassilgo Primeira-ministra e Ramalho Eanes Presidente da República.

Quando estiver de férias na Ilha de Armona, na Ria Formosa, frente a Olhão, verá pela manhã sair para o mar-alto barcos atuneiros que pescam o atum-rabilho nas águas portuguesas. Um quilo deste atum no Mercado Tsukiji, em Tóquio, pode chegar aos mil euros por quilo.

Eu gosto de atum. Torço o nariz ao sushi. E não é por causa do preço. Para mim peixe tem de ser cozinhado, mesmo que o quilo custe os olhos da cara.

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