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Hoje trago-lhe uma história de “Gatos e rachaduras” vivida pela minha mãe em épocas de privação, no tempo em que se reaproveitava a loiça quebrada para lhe dar novo uso.
Hoje trago-lhe a “Chacina de inocentes”, uma história de “violência” bem-intencionada, feita por quem pensava praticar acções que faziam sentido.
Hoje trago-lhe “Falar com Santa Bárbara”, uma história de ventos e tempestades do tempo da minha infância, quando demónios à solta levavam angústia ao povoado.
Hoje trago-lhe “A estrada e a Dona Elvira”, uma história de memórias dos dias em que eu e a criançada corríamos pela estrada, desafiando a velha senhora.
Hoje trago-lhe “O lagar de azeite”, uma história da minha infância, no tempo em que eu trabalhava à jorna na apanha da azeitona, e à noite ia espreitar o lagar onde se preparavam tibornas de azeite.
No ano em que se comemoram os 80 anos do bombardeamento atómico da cidade japonesa de Hiroshima, venho propor-lhe a leitura da crónica Lágrimas de Hiroshima, para que recorde os acontecimentos e as vidas que se perderam na tragédia do dia 6 de Agosto de 1945.
Hoje trago-lhe “O lagar de azeite”, uma história da minha infância, no tempo em que eu trabalhava à jorna na apanha da azeitona, e à noite ia espreitar o lagar onde se preparavam tibornas de azeite.
Hoje trago-lhe “Uma mulher de coragem”, uma história da heroína da minha vida - a minha mãe - que num certo dia se viu perante uma situação dramática que só ela podia resolver, mais ninguém.
Hoje trago-lhe “No céu via-se o fim do mundo”, a história que apavorou uma velha pastora, incapaz de compreender os sinais que pairavam no alto.
Hoje trago-lhe “O muro que nos separava”, uma história do tempo das primeiras letras. Num tempo em que tantos muros se erguem mundo fora, houve na minha infância um paredão que desafiávamos e transpúnhamos com risco de punição. Éramos crianças atrevidas para quem nenhuma barreira fazia sentido, muito menos aquele muro que cerceava a nossa liberdade.

